Já dizia Humberto Gessinger, no CD mais cretino do rock gaúcho, o Tchau Radar, de 1999. Na mesma música (nada fácil, é o nome), ele completa: “reza a lenda que a gente nasceu pra ser feliz/que o crime não compensa e tudo conspira a favor”. Nem falo mais do destino e conspirações e tudo e tal né, que não é de agora que eu não boto mais fé nisso – hoje credito (muito) mais mérito à teimosia do ser humano, essa sim ultrapassa barreiras e, na medida do possível, faz as coisas acontecerem efetivamente.
Mas mesmo assim, apesar das bem intencionadas teimosias, anda tudo tão desconfortavelmente difícil – ou “não fácil”, que seja. Dá trabalho ser gente grande, é o maior de todos, e justo esse tem a remuneração menos satisfatória considerando curto e médio prazo. Fora que, a longo prazo, nem todas as pessoas reconhecem o que se costuma chamar de recompensa pela vida que se levou.
Pessimista demais, moi? Acho que só ‘pé no chão’, sem deixar Pollyanna me dominar e deturpar minha visão da realidade a enfrentar todos os dias. Porque, na minha humilde opinião, otimismo combina com tarde de domingo na varanda, não com transito caótico, violência desenfreada e onipresente e tanta desigualdade à tona. Por favor, levanta a mão quem consegue ser otimista quando o computador trava na hora de imprimir o relatório pra reunião que começou há dez minutos. Levanta, quero ver.